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15 de Setembro de 1967

 
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GNR ameaça deter Comandante de Bombeiros no exercício das suas funções

Já não é novidade mas, os bombeiros começam a ficar fartos desta situação.

O insólito aconteceu mais uma vez. O comandante “Juca” dos Bombeiros Voluntários de Cerva, foi ameaçado de detenção por um elemento dos (GIPS) Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro da GNR, durante o combate a um incêndio que deflagrou na sexta-feira dia 22 de Agosto em Tinhela, Valpaços.

No fundo, a decisão do comandante Juca em avançar com uma queimada táctica, vulgarmente conhecida por contra fogo, foi tomada em conjunto pelos graduados no terreno. Pelo próprio Juca, pelo Comandante Sampaio e Adjunto de comando Cruz dos voluntários de Valpaços, homens com muitos anos de experiência no combate a fogos florestais, e que mereceu a oposição de um graduado do GIPS que argumentava com uma disposição legal que tornaria um crime a acção a empreender.

Ou muito nos enganamos, ou os GIPS da GNR confundem queimadas de pastoreio com queimadas tácticas o que leva situações como esta. Ocorreram então alguns momentos de grande tensão, quando o graduado dos GIPS ameaçou deter o Comandante dos bombeiros se realizasse esta operação pois em sua opinião os bombeiros não estão credenciados para realizar este tipo de operações.

Segundo a directiva nacional, aos GIPS, compete realizar a primeira intervenção mas, e após a chegada do primeiro corpo de bombeiros, o comando das operações de imediato passa para a posse do bombeiro mais graduado, que assumirá na integra todas as decisões que venham a ser tomadas e foi em conformidade que o Comandante Juca, o Comandante Sampaio e o Adjunto de Comando Cruz, decidiram por em prática este método de combate ao incêndio que no final, diga-se, acabou por ser efectuado pela opção técnica escolhida em primeiro lugar, que, de resto, acabaria por se verificar de grande eficácia.

Entretanto, e já com o “caldo” entornado, o Comandante no terreno não teve outra alternativa senão comunicar ao CODIS Comandante Operacional Distrital o sucedido ameaçando mesmo abandonar o teatro de operações se não fossem tomadas medidas adequadas. Pouco tempo após o sucedido, compareceram no local, O Sr, Governador Civil de Vila Real Dr. António Martinho, o Comandante Distrital Eng. Carlos Silva e o Comandante dos GIPS da GNR Major Falcão e pelo que conseguimos apurar, por todos foi reconhecido que a atitude assumida pelos bombeiros foi a mais correcta.

De referir que após este triste episódio, os GIPS abandonaram o local sem darem conhecimento ao comandante no terreno que é o responsável por todos os homens no teatro de operações e em todo o momento deverá ser informado da entrada ou retirada das equipas.

O comandante dos voluntários de Cerva, Jorge Campos,”Juca para os amigos”, homem reservado e de poucas palavras, não quis comentar o caso, entendendo mesmo que o assunto nem deveria ser divulgado, enquanto o comandante Sampaio da corporação de Valpaços, que dirigia as operações no local se limitou a afirmar que a opção tomada para o combate ao fogo foi previamente discutida entre si, e o comandante Juca e que foi a decisão mais acertada para travar o incêndio que poderia por em perigo a povoação de Aguadela.

O concelho de Valpaços, tem na ultima semana sido assolado por incêndios quase diários e a voz corrente naturalmente com alguma indignação a que os GIPS em vez de se preocuparem com os incendiários, se preocupam em ameaçar, deter quem dá a vida em prol do deu semelhante sem nada receb

       

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago